Homem fazendo conta na calculadora, preocupado com o preço da energia

Preço da energia começa a cair e encargos devem aliviar: o que esperar dos próximos meses no mercado livre

Depois de um período de forte pressão nos preços da energia, o mercado livre de energia começa a dar sinais de mudança.

A combinação de queda no preço de curto prazo e possível redução de encargos setoriais pode trazer algum alívio para consumidores nos próximos meses, especialmente para empresas que acompanham de perto a gestão de energia.

A seguir, explicamos de forma simples e direta o que está acontecendo no mercado e o que esperar para os próximos meses.

 

O que você vai encontrar neste conteúdo:

 

O que aconteceu com o preço da energia em 2026?

O aumento observado no começo de 2026 pegou muitas empresas de surpresa. Após um período prolongado de energia relativamente barata, o mercado passou a precificar maior risco hidrológico e custos mais elevados de operação do sistema.

Nos últimos anos, contratos de energia no mercado livre eram negociados, em muitos casos, entre R$ 100 e R$ 150/MWh. Porém, nos primeiros meses de 2026, o cenário mudou de forma significativa.

Negociações passaram a ocorrer frequentemente acima de R$ 300/MWh e, em alguns momentos, chegaram próximo de R$ 400/MWh.

Essa mudança rápida de patamar trouxe impacto direto para empresas expostas ao mercado ou que precisaram renovar contratos nesse período.

 

Por que os preços subiram?

Grande parte dessa alta está ligada às condições do sistema elétrico. Quando reservatórios ficam mais baixos ou as chuvas ficam abaixo do esperado, o sistema precisa recorrer com mais frequência às usinas térmicas, que têm custo de geração mais elevado.

Esse movimento aparece diretamente no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), indicador que funciona como referência para o mercado de curto prazo e influencia negociações no mercado livre de energia.

No início de 2026, esse indicador subiu para patamares mais altos, refletindo as incertezas em relação às chuvas e o aumento do custo para operar o sistema elétrico.

Além disso, o modelo computacional que forma o preço de energia (Newave e Decomp) desde o ano passado passou a adotar parâmetros mais conservadores em cenários de estresse (cVar). Assim, quando os dados indicam chuva abaixo da média, o modelo recomenda uma preservação intensa dos reservatórios e maior uso de fontes complementares como as térmicas.

 

PLD começa a mostrar sinais de queda

Uma das primeiras mudanças percebidas pelo mercado foi a trajetória mais moderada do PLD. Com atualizações nas projeções operativas e hidrológicas, os preços de curto prazo passaram a mostrar tendência de queda em relação aos picos recentes.

Esse movimento pode ocorrer por diversos fatores, como:

  • melhora das projeções de chuvas;
  • aumento da geração renovável;
  • redução do despacho de térmicas;
  • ajustes na expectativa de demanda.

Quando esses fatores se combinam, o custo de operação do sistema diminui, e o PLD tende a recuar.

 

Encargo de Energia de Reserva também deve cair

Outro fator importante que pode ajudar a reduzir o custo da energia nos próximos meses é a queda prevista no Encargo de Energia de Reserva (EER).

Dependendo do comportamento do mercado, especialmente do PLD, o valor cobrado pode aumentar ou diminuir ao longo do tempo. Se o preço de mercado fica acima do custo da energia de reserva, por exemplo, o sistema pode gerar superávit e reduzir a necessidade de cobrança.

E é exatamente isso que começa a aparecer nas projeções mais recentes.

De acordo com estimativas divulgadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a partir de abril, o EER pode cair de forma significativa, possivelmente cerca de metade do valor atual.

 

Como isso afeta quem compra energia no mercado livre?

A combinação de queda no preço da energia e redução de encargos pode impactar diretamente a conta de quem compra energia no mercado livre.

Mas esse efeito não acontece da mesma forma para todas as empresas. Tudo depende do tipo de contrato, do prazo da contratação e do nível de exposição ao mercado de curto prazo.

A própria alta observada no início de 2026 mostrou isso com clareza. Cada estratégia de contratação foi afetada de forma diferente.

Agora, com sinais de queda nos preços e possível redução de encargos, o impacto também varia de acordo com a forma como cada empresa estruturou sua compra de energia.

 

Empresas com contratos de longo prazo

Empresas que fecharam contratos de longo prazo atravessaram o período de alta com mais previsibilidade. Como o preço da energia já estava definido, muitas ficaram protegidas das oscilações mais fortes do mercado, pois o valor já estava previamente negociado.

Agora, com a queda de preços, o valor do contrato também não muda imediatamente. Ainda assim, pode haver impacto positivo com a redução de encargos, como o EER, que faz parte da conta de energia independentemente do preço contratado.

Além disso, se o movimento de queda continuar, esse cenário pode abrir espaço para planejar novas contratações em condições mais favoráveis no futuro.

 

Empresas com contratos de curto prazo

Empresas que operam com contratos de curto prazo sentiram mais rapidamente a alta observada no início de 2026. Como precisam renegociar energia com maior frequência, muitas acabaram enfrentando preços mais altos nas renovações.

 

Empresas expostas ao mercado de curto prazo

Empresas com exposição ao mercado de curto prazo foram as que mais sentiram a alta de preços no início de 2026.

Quando o PLD sobe, o custo da energia liquidada no mercado também aumenta, pressionando a conta de quem precisa comprar energia adicional.

Agora, com a possível queda do PLD, o efeito tende a ser o inverso. A energia liquidada no curto prazo pode ficar mais barata, trazendo algum alívio para quem mantém parte do consumo exposto, podendo ser um momento importante de fazer uma compra para um período um pouco mais alongado.

 

Por que a gestão de energia se torna ainda mais importante em momentos de mudança no mercado?

A alta observada no início de 2026 e os sinais recentes de queda mostram como o mercado de energia pode mudar rapidamente.

Por isso, em um ambiente influenciado por fatores como chuvas, reservatórios, despacho de térmicas, encargos e demanda, acompanhar o mercado de forma estratégica faz diferença.

Dessa forma, para empresas no mercado livre, a gestão de energia vai além de buscar preços mais baixos. Envolve entender o momento do mercado, avaliar riscos, planejar contratações e definir o nível ideal de exposição.

Assim, a gestão ativa da energia se torna essencial para controlar custos e aumentar a previsibilidade financeira.