O mercado de energia brasileiro atravessa um novo ciclo de mudanças estruturais. O cenário hidrológico, alterações regulatórias e transformações tributárias já estão pressionando os preços e devem impactar diretamente a conta de luz das empresas em 2026 e 2027.
Dessa forma, para quem já está no mercado livre, ou está avaliando a portabilidade, o momento exige análise estratégica, revisão de contratos e planejamento de longo prazo.
A seguir, explicamos de forma simples e objetiva os principais pontos de atenção no mercado de energia em 2026 e o que considerar no planejamento estratégico de energia para os próximos anos.
Alta expressiva nos preços de energia
Há cerca de dois anos, a energia no mercado livre era negociada na faixa de R$ 100 a R$ 150/MWh. Entretanto, nos primeiro meses de 2026, o cenário mudou de forma significativa e os preços passaram para R$ 300/MWh, chegando em alguns momentos próximos à R$ 400/MWh.
Essa alta está diretamente ligada ao atraso das chuvas no período úmido, já que os reservatórios estão em níveis abaixo do ideal para sustentar a geração hidrelétrica, que é a principal fonte da matriz brasileira. Logo, foi necessário acionar usinas térmicas para garantir o suprimento de energia.
Como a geração térmica possui custo operacional mais elevado, o impacto do preço do mercado de energia em 2026 é imediato.
E no mercado cativo?
Para as empresas que ainda estão no mercado cativo, o impacto não apareceu de forma imediata, como no mercado livre de energia, mas ele vai chegar.
Isso significa que, esse aumento tende a aparecer nos próximos meses por meio do acionamento de bandeiras tarifárias e também nos reajustes tarifários das concessionárias
Fim do subsídio da energia incentivada para novos consumidores
Outra mudança relevante é o encerramento dos descontos da energia incentivada para novos consumidores do mercado livre e novos contratos.
Na prática, isso significa que:
- empresas que ainda planejam a portabilidade: com as alterações regulatórias, não terão mais acesso ao desconto da energia incentivada nas novas contratações, o que pode reduzir a economia inicialmente projetada.
- empresas que já estão no mercado livre: pedidos de aumento de demanda contratada não terão direito ao desconto sobre o volume adicional. Assim, expansões de carga ou crescimento operacional podem gerar impacto financeiro maior do que o previsto, exigindo revisão do planejamento.
Isso altera a estrutura da conta de energia e reforça a importância de uma análise estratégica. Sem o desconto da energia incentivada, a economia estimada pode ser menor do que a projetada anteriormente, impactando o resultado financeiro da operação ao longo do contrato.
Nova cobrança de Angra 1 e Angra 2 para 2026
Conforme estabelecido pela Lei 15.269/2025, a partir de janeiro de 2027, os custos das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 passaram a ser rateados entre todos os consumidores, tanto os que estão no mercado cativo, quanto os que estão no mercado livre.
Por que isso é relevante?
Até então, esse encargo era destinado apenas aos consumidores do ambiente regulado. Ou seja, com a mudança, ocorre uma alteração estrutural na composição de custos da energia também para quem está no mercado livre, que passa a incorporar esse novo componente na conta.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) será responsável por realizar o rateio e enviar o valor a todos os consumidores. O modelo de pagamento para os consumidores livres segue a lógica de outros encargos já conhecidos do setor, como ERCAP e EER.
A primeira cobrança da chamada Liquidação Financeira da Energia Nuclear, ocorreu em fevereiro, referente ao consumo do mês de janeiro.
Reforma tributária e impactos a partir de 2027
Por fim, outro ponto importante é a reforma tributária, que terá impacto no setor de energia.
A partir de janeiro de 2027, o modelo atual de tributação cumulativa será substituído por um modelo baseado em IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
O objetivo é simplificar e dar mais transparência ao sistema tributário. No entanto, a transição exigirá:
- revisão de contratos de fornecimento;
- reavaliação das estruturas de precificação;
- análise detalhada de créditos e impactos fiscais.
Portanto, empresas que não se anteciparem podem enfrentar distorções inesperadas nos custos de energia.
Isso significa que o mercado livre não é mais vantajoso?
Não. O mercado livre continua sendo vantajoso para muitas empresas, especialmente aquelas que possuem perfil de consumo previsível, boa gestão energética e planejamento. O que mudou foi o contexto.
A volatilidade de preços, o fim de subsídios, os novos encargos e as alterações tributárias ampliam os fatores que precisam ser considerados na tomada de decisão.
Por isso, a escolha pelo mercado livre não deve se basear apenas em um preço pontual de curto prazo, mas em uma análise estratégica que envolva cenário regulatório, projeções futuras e alinhamento com os objetivos financeiros da empresa.
Gestão de energia como diferencial estratégico
No atual contexto do setor elétrico, a gestão de energia deixa de ser apenas operacional e assume papel estratégico nas empresas.
Afinal, decisões sobre contratação, prazos, modelo de fornecimento, expansão de carga e estrutura tributária impactam diretamente o orçamento, a previsibilidade financeira e a competitividade do negócio.
Para manter controle e eficiência, torna-se essencial, por exemplo:
- planejar contratações com antecedência;
- avaliar cenários de médio e longo prazo;
- revisar contratos de forma estruturada;
- acompanhar mudanças regulatórias e movimentos de mercado;
- integrar a gestão de energia ao planejamento financeiro.
Nesse cenário do mercado de energia em 2026, contar com uma plataforma de gestão de energia pode ajudar no dia a dia. Ferramentas que consolidam dados, monitoram contratos, como a Plataforma Voltera, permitem decisões mais rápidas e embasadas, reduzindo riscos e aumentando a previsibilidade.
Portanto, empresas que tratam energia como parte da estratégia, e utilizam tecnologia para apoiar essa gestão, continuam encontrando oportunidades relevantes de economia, eficiência e vantagem competitiva nos próximos anos.





